O desenvolvimento humano já começa bem antes da própria concepção. Muito que a pessoa apresenta como adulto, já se manifesta geneticamente na família. Algumas tendências a doenças (alcoolismo, problemas cardíacos, respiratórios, etc.) podem ser transmitidos pelas gerações.
Outro fator importante no desenvolvimento da personalidade é o comportamento dos pais. Daqui a alguns anos serei pai e já estou cuidando das minhas “neuras”, para que quando eles cheguem encontrem um pai mais equilibrado – ou menos desequilibrado.
As atitudes dos pais são imensamente marcantes mais que suas palavras. O velho jargão “Faça o que eu falo, não faça o que eu faço”, não funciona. Os filhos costumam copiar dos pais suas atitudes, até as que acham mais repugnantes, quadradas e ridículas. Quantas vezes nós, os adultos de hoje, nos pegamos repetindo atitudes de nossos pais? Após alguns anos, muitas vezes nos pegamos fazendo coisas que antes condenávamos. Quanto disso transmitiremos aos nossos filhos?
Precisamos nos cuidar para que a próxima geração seja melhor.
Ainda hoje existem algumas famílias que se tornam numerosas por não fazer uso de métodos contraceptivos, seja por ignorância, seja por descaso.
Muitas adolescentes engravidam por brincadeira, por desinformação, por falta de um dialogo aberto sobre sexualidade - herdado de uma cultura conservadora que impede que se toque nesse assunto -, para sair da casa dos pais, ou pela ilusão de que a gravidez “prende” alguém.
Aí estão: mães despreparadas para a maternidade – ainda com as necessidades de uma adolescente, mas com as responsabilidades de adulto, gerando dificuldades para conciliar a nova situação familiar, os estudos e o desenvolvimento profissional.
Por outro lado, temos uma criança que acaba não recebendo a atenção de que necessita – o que trará amargas conseqüências em seu comportamento futuro, no seu desenvolvimento emocional, no aproveitamento escolar ou na forma de enfrentar o mundo e fazer suas próprias escolhas.
A época da gestação pode deixar marcas profundas, que muitas vezes aparecem em relatos clínicos de vivencias terapêuticas e acompanham essas pessoas por décadas.
Palavras e sentimentos que a gestante dizia ao feto em sua barriga, ou ouvia de seus pais, do cônjuge, a rejeição, o “acidente de percurso”, a tentativa de aborto, a “desonra da família” que abandona na hora de maior necessidade, o desamor e o ódio: tudo isso colabora para a personalidade futura daquele que ainda não raciocina como nós, adultos, mas sente e percebe tudo, deixando registrado em seu inconsciente como é o mundo que o espera, podendo esse aprendizado perpetuar por toda sua vida como a única verdade, mesmo que ele não tome consciência disso, tornando a vida muito amarga, Sentindo como se as pessoas o estivessem rejeitando, por mais acolhedoras que sejam, pois é uma “verdade interna”. Dentro dele, o modelo de mundo conhecido é assim.
O que acontece fora da barriga é refletido para dentro. Os mais antigos diziam “não deixa ela passar nervoso, ela ta grávida”. Observemos a propriedade dessas palavras.
Como havia dito, um feto ou um bebe não raciocina como um adulto. Estão mais ligados ao querer que ao pensar. Se o pai ou a mãe o deixam sozinho por muito tempo ou o abandonam, ele perceberá sua própria necessidade, e com seu choro reivindicará essas presenças. Após alguns anos pode ser que até consiga justificar aos outros o porquê dessa atitude de seus pais, defendendo-os com fervor – “afinal, são seus pais” - mas essa “desculpa” não apagará as marcas em sua alma deixadas pela solidão e pela necessidade não suprida de presença dos pais.
Muitos pais dizem “mas eu dou de tudo, dou vídeo game, bicicleta, tudo o que ele pede, não falta nada para ele”.
Bens materiais, presentes e comidas não são tudo o que uma pessoa precisa para viver. Às vezes um diálogo, um toque, um carinho, atenção, podem fazer toda a diferença. Não há bem material que substitua o bem estar emocional ou o espiritual, ou a presença verdadeira dos pais – não apenas a presença física -mesmo que por um tempo mais curto.
Ao entrarmos numa roda viva, onde precisamos de 3 ou 4 empregos para nos manter, não tendo tempo para família e laser, com o mercado de trabalho exigindo mais e mais, acabamos sacrificando os relacionamentos intrafamiliares, e o dinheiro que ganhamos com isso torna-se vazio, pois o que compramos com ele não supre nossas necessidades emocionais.
Os tempos mudaram, e ter um filho é algo muito sério. Devemos dar mais importância do que dávamos há 20 ou 30 anos atrás. É importante pensar, planejar, e não apenas coloca-los no mundo e deixar para a avó, a escola ou a sociedade criar. Se quiserem um filho, e não um delinqüente, façam parte da vida dele. Sejam realmente pais.
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sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Para nossos filhos
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domingo, 23 de agosto de 2009
O SÁBIO SABE?
Há quase dois mil e quinhentos anos, na Grécia Antiga, nasceu Sócrates, que se destacou como filósofo e nos deixou como legado sua dialética, ou seja, sua forma de olhar para coisas que parecem banais e, comparando-as, chegar a fantásticas conclusões.
Sócrates foi bastante simples em seus modos, mas um grande pensador.
Certa vez Querofante, seu amigo de infância foi com ele ao famoso oráculo de Delfos e perguntou à sacerdotisa quem era mais sábio que Sócrates. A mesma respondeu que não havia alguém mais sábio.
Sócrates estranhou essa resposta, pois se observava como não sendo nem muito sábio nem pouco.
Apesar de saber que o oráculo não mentiria, saiu à procura de alguém mais sábio para que pudesse mostrá-lo à sacerdotisa, dizendo: “eis aqui um mais sábio do que eu, quando tu disseste que eu o era!”.
Mas ao procurar esse sábio, examinando seus conhecimentos, percebia que quem passava por sábio aos olhos de muita gente e até aos próprios, não o era.
Ao retirar-se concluía para si mesmo: “mais sábio do que esse homem eu sou; é bem provável que nenhum de nós saiba nada de bom, mas ele supõe saber alguma coisa e não sabe, enquanto eu, se não sei, tampouco suponho saber. Parece que sou um pouquinho mais sábio que ele justamente em não supor que saiba o que não sei”.
Nesta busca pela verdade, Sócrates acabou, mesmo sem querer, semeando muitos inimigos, pois o orgulho que sustentavam esses falsos sábios acabava minado pelos questionamentos e ao cair a mascara de sábio, feria-lhes o orgulho e o espelho da realidade gerava raiva e ódio.
Essa é uma realidade ainda nos dias de hoje, onde muitos precisam “manter as aparências”.
Entendo ser uma pessoa humilde alguém que é simplesmente o que é, sem a necessidade de parecer mais. Certas pessoas usam de falsa modéstia para parecer humildes, mas não é necessário se colocar abaixo do que se é, nem acima.
Sócrates sabia de suas capacidades e suas limitações. Não cometia excessos, pois não precisava deles. Era feliz e sereno, satisfeito com o que tinha, sem ambições, podendo, assim, viver plenamente a vida.
Hoje em dia é muito comum quem trabalhe até enquanto sonha, preocupando-se em trabalhar ainda mais para juntar riquezas, e nosso orgulho nos transforma em super homens ou super mulheres, fazendo-nos sentir heroicamente estressados, por vezes julgando e nomeando os outros como ociosos, improdutivos, desprezíveis ou inúteis.
O orgulho muitas vezes nos impede de crescer, seja como pessoa, família, grupo, empresa ou país.
Quando alguém diz algo que nos incomoda, seria interessante analisar por que isso incomoda. Por vezes taxamos de inimigo a pessoa que pode nos abrir os olhos para muitas limitações nossas, mas perdemos a oportunidade simplesmente devido o orgulho.
Se nos fala algo que não condiz com a realidade, a verdade cedo ou tarde aparecerá, e se nada devo, nada tenho a pagar.
Se precisou inventar mentiras ou calúnias para prejudicar-me, enquanto eu não preciso, ele deve estar em piores condições que eu, precisando de falsidades para conduzir a vida. Pobre coitado! Será que não percebeu que a vida é como um bumerangue e o que oferecemos ao mundo nos é devolvido?
A mentira pode reinar por um tempo, mas o próprio tempo mostra a verdade.
Se o que a outro diz for verdade, tendo a humildade de reconhece-la, terei a chance de aprender com o fato e ser pessoa melhor.
Esse é o caminho para se ter a certeza interior de que caminho seguir, que dores continuar carregando pela estrada da vida, quais boas qualidades realmente tenho e posso oferecer ao mundo, e que tendências negativas seria conveniente ou bom corrigir. Como dizia o filósofo, “Conhece-te a ti mesmo”.
Sócrates foi bastante simples em seus modos, mas um grande pensador.
Certa vez Querofante, seu amigo de infância foi com ele ao famoso oráculo de Delfos e perguntou à sacerdotisa quem era mais sábio que Sócrates. A mesma respondeu que não havia alguém mais sábio.
Sócrates estranhou essa resposta, pois se observava como não sendo nem muito sábio nem pouco.
Apesar de saber que o oráculo não mentiria, saiu à procura de alguém mais sábio para que pudesse mostrá-lo à sacerdotisa, dizendo: “eis aqui um mais sábio do que eu, quando tu disseste que eu o era!”.
Mas ao procurar esse sábio, examinando seus conhecimentos, percebia que quem passava por sábio aos olhos de muita gente e até aos próprios, não o era.
Ao retirar-se concluía para si mesmo: “mais sábio do que esse homem eu sou; é bem provável que nenhum de nós saiba nada de bom, mas ele supõe saber alguma coisa e não sabe, enquanto eu, se não sei, tampouco suponho saber. Parece que sou um pouquinho mais sábio que ele justamente em não supor que saiba o que não sei”.
Nesta busca pela verdade, Sócrates acabou, mesmo sem querer, semeando muitos inimigos, pois o orgulho que sustentavam esses falsos sábios acabava minado pelos questionamentos e ao cair a mascara de sábio, feria-lhes o orgulho e o espelho da realidade gerava raiva e ódio.
Essa é uma realidade ainda nos dias de hoje, onde muitos precisam “manter as aparências”.
Entendo ser uma pessoa humilde alguém que é simplesmente o que é, sem a necessidade de parecer mais. Certas pessoas usam de falsa modéstia para parecer humildes, mas não é necessário se colocar abaixo do que se é, nem acima.
Sócrates sabia de suas capacidades e suas limitações. Não cometia excessos, pois não precisava deles. Era feliz e sereno, satisfeito com o que tinha, sem ambições, podendo, assim, viver plenamente a vida.
Hoje em dia é muito comum quem trabalhe até enquanto sonha, preocupando-se em trabalhar ainda mais para juntar riquezas, e nosso orgulho nos transforma em super homens ou super mulheres, fazendo-nos sentir heroicamente estressados, por vezes julgando e nomeando os outros como ociosos, improdutivos, desprezíveis ou inúteis.
O orgulho muitas vezes nos impede de crescer, seja como pessoa, família, grupo, empresa ou país.
Quando alguém diz algo que nos incomoda, seria interessante analisar por que isso incomoda. Por vezes taxamos de inimigo a pessoa que pode nos abrir os olhos para muitas limitações nossas, mas perdemos a oportunidade simplesmente devido o orgulho.
Se nos fala algo que não condiz com a realidade, a verdade cedo ou tarde aparecerá, e se nada devo, nada tenho a pagar.
Se precisou inventar mentiras ou calúnias para prejudicar-me, enquanto eu não preciso, ele deve estar em piores condições que eu, precisando de falsidades para conduzir a vida. Pobre coitado! Será que não percebeu que a vida é como um bumerangue e o que oferecemos ao mundo nos é devolvido?
A mentira pode reinar por um tempo, mas o próprio tempo mostra a verdade.
Se o que a outro diz for verdade, tendo a humildade de reconhece-la, terei a chance de aprender com o fato e ser pessoa melhor.
Esse é o caminho para se ter a certeza interior de que caminho seguir, que dores continuar carregando pela estrada da vida, quais boas qualidades realmente tenho e posso oferecer ao mundo, e que tendências negativas seria conveniente ou bom corrigir. Como dizia o filósofo, “Conhece-te a ti mesmo”.
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