Há quase dois mil e quinhentos anos, na Grécia Antiga, nasceu Sócrates, que se destacou como filósofo e nos deixou como legado sua dialética, ou seja, sua forma de olhar para coisas que parecem banais e, comparando-as, chegar a fantásticas conclusões.
Sócrates foi bastante simples em seus modos, mas um grande pensador.
Certa vez Querofante, seu amigo de infância foi com ele ao famoso oráculo de Delfos e perguntou à sacerdotisa quem era mais sábio que Sócrates. A mesma respondeu que não havia alguém mais sábio.
Sócrates estranhou essa resposta, pois se observava como não sendo nem muito sábio nem pouco.
Apesar de saber que o oráculo não mentiria, saiu à procura de alguém mais sábio para que pudesse mostrá-lo à sacerdotisa, dizendo: “eis aqui um mais sábio do que eu, quando tu disseste que eu o era!”.
Mas ao procurar esse sábio, examinando seus conhecimentos, percebia que quem passava por sábio aos olhos de muita gente e até aos próprios, não o era.
Ao retirar-se concluía para si mesmo: “mais sábio do que esse homem eu sou; é bem provável que nenhum de nós saiba nada de bom, mas ele supõe saber alguma coisa e não sabe, enquanto eu, se não sei, tampouco suponho saber. Parece que sou um pouquinho mais sábio que ele justamente em não supor que saiba o que não sei”.
Nesta busca pela verdade, Sócrates acabou, mesmo sem querer, semeando muitos inimigos, pois o orgulho que sustentavam esses falsos sábios acabava minado pelos questionamentos e ao cair a mascara de sábio, feria-lhes o orgulho e o espelho da realidade gerava raiva e ódio.
Essa é uma realidade ainda nos dias de hoje, onde muitos precisam “manter as aparências”.
Entendo ser uma pessoa humilde alguém que é simplesmente o que é, sem a necessidade de parecer mais. Certas pessoas usam de falsa modéstia para parecer humildes, mas não é necessário se colocar abaixo do que se é, nem acima.
Sócrates sabia de suas capacidades e suas limitações. Não cometia excessos, pois não precisava deles. Era feliz e sereno, satisfeito com o que tinha, sem ambições, podendo, assim, viver plenamente a vida.
Hoje em dia é muito comum quem trabalhe até enquanto sonha, preocupando-se em trabalhar ainda mais para juntar riquezas, e nosso orgulho nos transforma em super homens ou super mulheres, fazendo-nos sentir heroicamente estressados, por vezes julgando e nomeando os outros como ociosos, improdutivos, desprezíveis ou inúteis.
O orgulho muitas vezes nos impede de crescer, seja como pessoa, família, grupo, empresa ou país.
Quando alguém diz algo que nos incomoda, seria interessante analisar por que isso incomoda. Por vezes taxamos de inimigo a pessoa que pode nos abrir os olhos para muitas limitações nossas, mas perdemos a oportunidade simplesmente devido o orgulho.
Se nos fala algo que não condiz com a realidade, a verdade cedo ou tarde aparecerá, e se nada devo, nada tenho a pagar.
Se precisou inventar mentiras ou calúnias para prejudicar-me, enquanto eu não preciso, ele deve estar em piores condições que eu, precisando de falsidades para conduzir a vida. Pobre coitado! Será que não percebeu que a vida é como um bumerangue e o que oferecemos ao mundo nos é devolvido?
A mentira pode reinar por um tempo, mas o próprio tempo mostra a verdade.
Se o que a outro diz for verdade, tendo a humildade de reconhece-la, terei a chance de aprender com o fato e ser pessoa melhor.
Esse é o caminho para se ter a certeza interior de que caminho seguir, que dores continuar carregando pela estrada da vida, quais boas qualidades realmente tenho e posso oferecer ao mundo, e que tendências negativas seria conveniente ou bom corrigir. Como dizia o filósofo, “Conhece-te a ti mesmo”.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário