O conhecimento do corpo é como a entrada em uma grande catedral. Entra-se por uma entrada estreita e se depara com um mundo enorme em que se deslumbra e a alma parece ficar do tamanho deste novo mundo.
Só depois podemos perceber os vitrais, os detalhes, só com o tempo podemos capta-los com precisão e toda sua riqueza.
Como devo ter me sentido quando nasci e saí de um mundo apertado para uma imensidão? Não sei se apenas me assustei e chorei, se fiquei maravilhado com a existência de um mundo tão grande, ou se não me dei conta do que estava acontecendo. Não sei! Só depois de muito tempo consegui começar a decodificar esta imensidão. Por muito tempo olhei sem enxergar, toquei sem perceber, vi sem entender com a razão, mas em meus sentidos recebia impressões, sem saber o que fazer com elas, ou sem sentir necessidade de responder à essas impressões.
O tempo aprimorou a percepção do mundo externo, me permitindo maior precisão nas minhas conclusões sentidas e pensadas, e esse mesmo tempo me ensinou a ocultar essas impressões para que elas não me machucassem.
Às vezes olho no espelho e não reconheço meu rosto; olho minhas fotos e não me identifico.
O tempo às vezes me faz permanecer dentro de mim e esquecer o mundo lá fora. Em outras oportunidades saio e me distancio de mim, querendo abarcar o mundo para não me olhar, talvez por sentir que eu não seja tão bom assim.
E nessa estranha pulsação para dentro e para fora, começo a perceber nestes extremos que estou sendo injusto ao culpar o tempo ao invés de assumir meu egoísmo e minha vontade de fugir de minhas limitações.
Quero crescer aprendendo a ser criança, mas uma criança que já saiba usar os sentidos sem se prender tanto àquela razão adulta que acaba me escondendo as verdades para me proteger; ver o mundo como a criança, com os olhos do coração, permitindo que as coisas sejam como são.
São tantas as impressões que o mundo me passa e eu não sei o que fazer com tudo isso.
Mergulhado neste grande oceano de impressões aparece novamente o fator tempo, que junto com minha vontade de viver e amar, me ensina a arte de viver.
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