Certa vez ouvi um conto sobre uma mulher que sonhara com uma floresta num dia quente de verão. Sufocada pelo calor, corre em busca de alivio. Encontra numa clareira um lago de água fresca. Depressa tira as roupas, mas quando ia se jogar na água aparece um homem. Com medo fugiu para as arvores, mas quanto mais corria, mais se sentia perseguida.
Numa clareira da vegetação viu a entrada de uma caverna. Correu mais rápido e entrou espavorida. Tinha despistado o perseguidor. Correu para dentro, pensando em sair do outro lado, mas a caverna não tinha saída. Encolheu-se junto a parede do fundo e esperou. Logo surgiu o homem entrando na caverna. Encostada à parede gritou para o estranho: “espera aí, o que você vai fazer comigo?”. O homem respondeu: “não sei, o sonho é seu!”.
Em momento algum o homem do conto se coloca como perseguidor, mas ela o sente assim permanentemente.
Isso lembra nossa vida real, onde a forma de olhar para o mundo pode ser pesada, amarga, ou alegre, maravilhosa. Duas pessoas podem sentir a mesma situação de forma totalmente oposta. Fazer uma prova na escola pode gerar uma tensão enorme, fazer suar de medo e insegurança, gerar disfunções intestinais ou urinarias e insônia, ou, por outro lado, pode ser apenas uma prova. Encontrar uma pessoa, ir para o trabalho e as coisas mais corriqueiras podem ser encaradas como situações simples ou como a pior coisa do mundo.
Até a mesma pessoa pode estar nos dois pólos, em momentos diferentes, como acontece com algumas na tensão pré-menstrual, onde um olhar pode `explodir uma bomba`, e noutro momento, uma situação igual ou pior pode ser vista como algo corriqueiro.
A própria vida acontece numa sucessão de ciclos, onde os extremos aparecem. As vezes estamos bem dispostos, as vezes sem vontade nenhuma. Alegria e tristeza, sorte e azar, vontade e apatia, altos e baixos, e assim a vida continua. Se a imaginássemos como uma seqüência de ondas num vídeo, para cima e para baixo, com um eixo central, quanto mais longe desse eixo estivessem nossos altos e baixos mais desequilibrados estaríamos.
A vida tem essa oscilação, mas o problema é ser extremista, colocando uma simples hipótese como uma verdade absoluta e terrível, como no conto apresentado. Terminar um namoro e dizer que nunca mais vai gostar de ninguém, discutir com um amigo e dizer que nunca mais quer vê-lo...
Todos esses comportamentos geram respostas corporais que, se forem observadas podem ajudar a se entender melhor. Lendo a estória acima ou assistindo a um filme de ação ou suspense, podemos notar que o corpo por vezes responde como se estivesse vivendo a situação, se tensionando, alterando a respiração, instigando a imaginação. Diante de situações extremas, que levam a atitudes inadequadas ou ríspidas, podemos nos educar para respirar fundo, acalmar a musculatura (pois sem músculo tenso não tem nervosismo) e parar, ao invés de seguir o instinto.
Em atividades como relaxamento, meditação, yoga e massagem, começamos a ficar mais centrados em nós mesmos, e conseqüentemente percebendo o mundo com mais clareza. Diminuindo a oscilação os altos não serão tão altos e os baixos não serão tão baixos. A ansiedade e os momentos depressivos serão menos intensos.
A qualidade de vida é a bola da vez, e para alcança-la é preciso olhar para si mesmo, ter um tempo para você, saindo da loucura cotidiana, pois o silencio é o sol que amadurece os frutos da alma.
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