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sábado, 26 de dezembro de 2009

Olhando o Óbvio

Quando convertemos emoções em sintomas orgânicos, estamos expressando de forma inconsciente algo que “não está muito bem em nós”, podendo aparecer na forma de problemas de sono, mal estar, dores, perda ou excesso de apetite, compulsividade, impaciência, depressão, “nervosismo”, disfunções cardíacas, respiratórias, circulatórias ou musculares, perda de memória e raciocínio, estados de terror ou pânico, além de uma lista imensa de possíveis sintomas, que são necessários para nos darmos conta de que algo está errado conosco.
Chamamos isso de desequilíbrio.
Se procurarmos um auto conhecimento, uma compreensão maior de nós mesmos, podemos até mesmo reverter alguns destes processos, pois se a “mensagem” enviada pelo inconsciente em forma de somatização foi recebida e entendida pela mente, estes sintomas não serão mais necessários.
Se uma pessoa tem, por exemplo, dores na parte superior das costas, provavelmente terá, também, muitas preocupações, antecipando seus problemas ao invés de “deixar as coisas acontecerem”.
Será como se seu corpo estivesse dizendo “carrego o peso do mundo em minhas costas”. Uma vez entendida e modificada essa atitude interior - o que não é tão fácil, podendo precisar de um árduo trabalho - o sintoma se torna desnecessário e desaparece.
A ansiedade não é apenas um sintoma, mas um síndrome, ou seja, um conjunto de reações que atinge o organismo como um todo - corpo, mente e emoções.
Se um profissional da saúde aborda um sintoma por um destes itens - corpo, mente ou emoções - pode obter um bom resultado, mas se abordar o sintoma de um modo mais abrangente, ou seja, como um todo, provavelmente obterá melhores resultados e em menos tempo.
A relação entre corpo, mente e emoções será melhor compreendida quando tivermos desenvolvido nosso auto conhecimento, levando-nos a entender como se formam as tensões, como funcionam os relaxamentos e como melhorar a saúde física e mental. A tão almejada busca por um mundo melhor encontra sua resposta no interior de nós mesmos, e se podemos melhorar nosso padrão de vida, por que não faze-lo?

domingo, 9 de agosto de 2009

FRUTOS DA ALMA

Certa vez ouvi um conto sobre uma mulher que sonhara com uma floresta num dia quente de verão. Sufocada pelo calor, corre em busca de alivio. Encontra numa clareira um lago de água fresca. Depressa tira as roupas, mas quando ia se jogar na água aparece um homem. Com medo fugiu para as arvores, mas quanto mais corria, mais se sentia perseguida.
Numa clareira da vegetação viu a entrada de uma caverna. Correu mais rápido e entrou espavorida. Tinha despistado o perseguidor. Correu para dentro, pensando em sair do outro lado, mas a caverna não tinha saída. Encolheu-se junto a parede do fundo e esperou. Logo surgiu o homem entrando na caverna. Encostada à parede gritou para o estranho: “espera aí, o que você vai fazer comigo?”. O homem respondeu: “não sei, o sonho é seu!”.
Em momento algum o homem do conto se coloca como perseguidor, mas ela o sente assim permanentemente.
Isso lembra nossa vida real, onde a forma de olhar para o mundo pode ser pesada, amarga, ou alegre, maravilhosa. Duas pessoas podem sentir a mesma situação de forma totalmente oposta. Fazer uma prova na escola pode gerar uma tensão enorme, fazer suar de medo e insegurança, gerar disfunções intestinais ou urinarias e insônia, ou, por outro lado, pode ser apenas uma prova. Encontrar uma pessoa, ir para o trabalho e as coisas mais corriqueiras podem ser encaradas como situações simples ou como a pior coisa do mundo.
Até a mesma pessoa pode estar nos dois pólos, em momentos diferentes, como acontece com algumas na tensão pré-menstrual, onde um olhar pode `explodir uma bomba`, e noutro momento, uma situação igual ou pior pode ser vista como algo corriqueiro.
A própria vida acontece numa sucessão de ciclos, onde os extremos aparecem. As vezes estamos bem dispostos, as vezes sem vontade nenhuma. Alegria e tristeza, sorte e azar, vontade e apatia, altos e baixos, e assim a vida continua. Se a imaginássemos como uma seqüência de ondas num vídeo, para cima e para baixo, com um eixo central, quanto mais longe desse eixo estivessem nossos altos e baixos mais desequilibrados estaríamos.
A vida tem essa oscilação, mas o problema é ser extremista, colocando uma simples hipótese como uma verdade absoluta e terrível, como no conto apresentado. Terminar um namoro e dizer que nunca mais vai gostar de ninguém, discutir com um amigo e dizer que nunca mais quer vê-lo...
Todos esses comportamentos geram respostas corporais que, se forem observadas podem ajudar a se entender melhor. Lendo a estória acima ou assistindo a um filme de ação ou suspense, podemos notar que o corpo por vezes responde como se estivesse vivendo a situação, se tensionando, alterando a respiração, instigando a imaginação. Diante de situações extremas, que levam a atitudes inadequadas ou ríspidas, podemos nos educar para respirar fundo, acalmar a musculatura (pois sem músculo tenso não tem nervosismo) e parar, ao invés de seguir o instinto.
Em atividades como relaxamento, meditação, yoga e massagem, começamos a ficar mais centrados em nós mesmos, e conseqüentemente percebendo o mundo com mais clareza. Diminuindo a oscilação os altos não serão tão altos e os baixos não serão tão baixos. A ansiedade e os momentos depressivos serão menos intensos.
A qualidade de vida é a bola da vez, e para alcança-la é preciso olhar para si mesmo, ter um tempo para você, saindo da loucura cotidiana, pois o silencio é o sol que amadurece os frutos da alma.