sábado, 26 de dezembro de 2009

Olhando o Óbvio

Quando convertemos emoções em sintomas orgânicos, estamos expressando de forma inconsciente algo que “não está muito bem em nós”, podendo aparecer na forma de problemas de sono, mal estar, dores, perda ou excesso de apetite, compulsividade, impaciência, depressão, “nervosismo”, disfunções cardíacas, respiratórias, circulatórias ou musculares, perda de memória e raciocínio, estados de terror ou pânico, além de uma lista imensa de possíveis sintomas, que são necessários para nos darmos conta de que algo está errado conosco.
Chamamos isso de desequilíbrio.
Se procurarmos um auto conhecimento, uma compreensão maior de nós mesmos, podemos até mesmo reverter alguns destes processos, pois se a “mensagem” enviada pelo inconsciente em forma de somatização foi recebida e entendida pela mente, estes sintomas não serão mais necessários.
Se uma pessoa tem, por exemplo, dores na parte superior das costas, provavelmente terá, também, muitas preocupações, antecipando seus problemas ao invés de “deixar as coisas acontecerem”.
Será como se seu corpo estivesse dizendo “carrego o peso do mundo em minhas costas”. Uma vez entendida e modificada essa atitude interior - o que não é tão fácil, podendo precisar de um árduo trabalho - o sintoma se torna desnecessário e desaparece.
A ansiedade não é apenas um sintoma, mas um síndrome, ou seja, um conjunto de reações que atinge o organismo como um todo - corpo, mente e emoções.
Se um profissional da saúde aborda um sintoma por um destes itens - corpo, mente ou emoções - pode obter um bom resultado, mas se abordar o sintoma de um modo mais abrangente, ou seja, como um todo, provavelmente obterá melhores resultados e em menos tempo.
A relação entre corpo, mente e emoções será melhor compreendida quando tivermos desenvolvido nosso auto conhecimento, levando-nos a entender como se formam as tensões, como funcionam os relaxamentos e como melhorar a saúde física e mental. A tão almejada busca por um mundo melhor encontra sua resposta no interior de nós mesmos, e se podemos melhorar nosso padrão de vida, por que não faze-lo?

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Para nossos filhos

O desenvolvimento humano já começa bem antes da própria concepção. Muito que a pessoa apresenta como adulto, já se manifesta geneticamente na família. Algumas tendências a doenças (alcoolismo, problemas cardíacos, respiratórios, etc.) podem ser transmitidos pelas gerações.
Outro fator importante no desenvolvimento da personalidade é o comportamento dos pais. Daqui a alguns anos serei pai e já estou cuidando das minhas “neuras”, para que quando eles cheguem encontrem um pai mais equilibrado – ou menos desequilibrado.
As atitudes dos pais são imensamente marcantes mais que suas palavras. O velho jargão “Faça o que eu falo, não faça o que eu faço”, não funciona. Os filhos costumam copiar dos pais suas atitudes, até as que acham mais repugnantes, quadradas e ridículas. Quantas vezes nós, os adultos de hoje, nos pegamos repetindo atitudes de nossos pais? Após alguns anos, muitas vezes nos pegamos fazendo coisas que antes condenávamos. Quanto disso transmitiremos aos nossos filhos?
Precisamos nos cuidar para que a próxima geração seja melhor.
Ainda hoje existem algumas famílias que se tornam numerosas por não fazer uso de métodos contraceptivos, seja por ignorância, seja por descaso.
Muitas adolescentes engravidam por brincadeira, por desinformação, por falta de um dialogo aberto sobre sexualidade - herdado de uma cultura conservadora que impede que se toque nesse assunto -, para sair da casa dos pais, ou pela ilusão de que a gravidez “prende” alguém.
Aí estão: mães despreparadas para a maternidade – ainda com as necessidades de uma adolescente, mas com as responsabilidades de adulto, gerando dificuldades para conciliar a nova situação familiar, os estudos e o desenvolvimento profissional.
Por outro lado, temos uma criança que acaba não recebendo a atenção de que necessita – o que trará amargas conseqüências em seu comportamento futuro, no seu desenvolvimento emocional, no aproveitamento escolar ou na forma de enfrentar o mundo e fazer suas próprias escolhas.
A época da gestação pode deixar marcas profundas, que muitas vezes aparecem em relatos clínicos de vivencias terapêuticas e acompanham essas pessoas por décadas.
Palavras e sentimentos que a gestante dizia ao feto em sua barriga, ou ouvia de seus pais, do cônjuge, a rejeição, o “acidente de percurso”, a tentativa de aborto, a “desonra da família” que abandona na hora de maior necessidade, o desamor e o ódio: tudo isso colabora para a personalidade futura daquele que ainda não raciocina como nós, adultos, mas sente e percebe tudo, deixando registrado em seu inconsciente como é o mundo que o espera, podendo esse aprendizado perpetuar por toda sua vida como a única verdade, mesmo que ele não tome consciência disso, tornando a vida muito amarga, Sentindo como se as pessoas o estivessem rejeitando, por mais acolhedoras que sejam, pois é uma “verdade interna”. Dentro dele, o modelo de mundo conhecido é assim.
O que acontece fora da barriga é refletido para dentro. Os mais antigos diziam “não deixa ela passar nervoso, ela ta grávida”. Observemos a propriedade dessas palavras.
Como havia dito, um feto ou um bebe não raciocina como um adulto. Estão mais ligados ao querer que ao pensar. Se o pai ou a mãe o deixam sozinho por muito tempo ou o abandonam, ele perceberá sua própria necessidade, e com seu choro reivindicará essas presenças. Após alguns anos pode ser que até consiga justificar aos outros o porquê dessa atitude de seus pais, defendendo-os com fervor – “afinal, são seus pais” - mas essa “desculpa” não apagará as marcas em sua alma deixadas pela solidão e pela necessidade não suprida de presença dos pais.
Muitos pais dizem “mas eu dou de tudo, dou vídeo game, bicicleta, tudo o que ele pede, não falta nada para ele”.
Bens materiais, presentes e comidas não são tudo o que uma pessoa precisa para viver. Às vezes um diálogo, um toque, um carinho, atenção, podem fazer toda a diferença. Não há bem material que substitua o bem estar emocional ou o espiritual, ou a presença verdadeira dos pais – não apenas a presença física -mesmo que por um tempo mais curto.
Ao entrarmos numa roda viva, onde precisamos de 3 ou 4 empregos para nos manter, não tendo tempo para família e laser, com o mercado de trabalho exigindo mais e mais, acabamos sacrificando os relacionamentos intrafamiliares, e o dinheiro que ganhamos com isso torna-se vazio, pois o que compramos com ele não supre nossas necessidades emocionais.
Os tempos mudaram, e ter um filho é algo muito sério. Devemos dar mais importância do que dávamos há 20 ou 30 anos atrás. É importante pensar, planejar, e não apenas coloca-los no mundo e deixar para a avó, a escola ou a sociedade criar. Se quiserem um filho, e não um delinqüente, façam parte da vida dele. Sejam realmente pais.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

MEDO DE PERDER

“Quanto perdemos por medo de perder”.
O medo sempre foi uma ferramenta necessária para as pessoas, mas quando começa a tomar proporções excessivas, se torna um fator perigoso.
Se nas guerras apenas se atacasse o tempo todo, não se usaria o bom senso para saber o momento de recuar e se fortalecer antes do novo embate, como fazem os grandes estrategistas.
A falta de medo, assim como o medo demasiado podem conduzir a situações que levam a prejuízos irrecuperáveis.
Como sempre, o caminho do meio, do equilíbrio aparece como a melhor opção.
Muitas vezes o medo nos coloca numa prisão sem paredes, uma cela sem grades, mas que nos mantém presos a conceitos e dogmas limitantes, conduzindo-nos a uma vida sem sentido, sem objetivos.
Podemos ter medo da crítica alheia ou que nos observem e “pensem” sobre nós, e assim deixamos de fazer o que queremos fazer e passamos a fazer o que imaginamos que o outro quer que façamos.
Agimos de acordo com o que achamos que o outro acha e passamos a aceitar essa premissa como verdadeira.
Em contra partida o outro pensa o mesmo sobre nós, e assim criamos uma sociedade onde todos vigiam a todos para que ninguém tire a máscara de bonzinho ou de bem comportado, mas que no fundo tem vontade de ser diferente, aprender a dizer “não” quando assim desejar, não comer o pedaço de bolo oferecido durante a visita “só pra fazer média”, quando não tem vontade nenhuma, ou ter que se vestir de determinada forma, não pela própria vontade, mas por que a educação, a religião ou a sociedade – que somos nós - assim exigem.
Todos vigiam a todos para que ninguém faça o que todos gostariam de fazer.
Onde será o lugar em que podemos ser nós mesmos? Esse lugar existe? Será que podemos aceita-lo?
Junto da enorme preocupação em ser normal, em ser aceito pelo outro, não percebemos que ter falhas e limitações, não ser perfeito, faz parte da normalidade, afinal de contas, “de perto ninguém é normal”.
Quando vemos a imperfeição do outro achamos graça ou nos indignamos ou ficamos com raiva, pois não aceitamos a nossa própria imperfeição.
“você viu o que ela fez?...”, “sabe da última?...”, “eu não sou de fazer fofoca, mas...”.
Pregamos o puritanismo, mas não aceitamos que o nefasto existe em nós.
A falta de coragem para enfrentar as pessoas e situações por vezes está ligada a falta de crença na própria capacidade, pregada desde a infância pelos pais através de frases ou palavras que mutilam como facas e matam as potencialidades.
“Sai daí que você não sabe fazer”, “não atrapalha que eu estou trabalhando”, “você faz tudo errado”, “como você pode ser tão burro”, “por que você não é como o fulano”.
O aprendizado de criança nos acompanha para o resto da vida e nos tornamos crianças grandes, sentindo a necessidade de que alguém nos dê a mão para sentirmos confiança e fazer algo, como falar em público, dirigir um carro, falar com alguém "importante", ou mesmo aceitar que podemos nos destacar em alguma atividade ou ´sermos suficientemente bons` em alguma coisa, ou seja, desenvolvermos nossas potencialidades.
Alguns, em seu perfeccionismo, passam a vida inertes, pois pode ser que algo saia errado, então acha melhor não fazer.
Não é apedrejado por ser apenas um ser humano que erra, mas por outro lado priva a si e ao mundo de tantas coisas boas e positivas de seu intento.
Ninguém é totalmente bom ou totalmente ruim.
Aceitarmo-nos como somos pode evitar muitas perdas que o medo de perder nos impele.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Inteligencia Norteando a Paz

A vivencia "A Inteligencia Norteando a Paz" substituirá o Curso sobre Ansiedade e Relaxamento em Nazaré-Uniluz, de 27 a 29/11/2009.
Considerando que em nosso desenvolvimento como ser integral passamos por fases, o instinto, que foi importante em fases anteriores, hoje pode comprometer nossa qualidade de vida, pois o formato social e as necessidades humanas são diferentes, em comparação com outras épocas.
Temos desenvolvidas três estruturas cerebrais que geram algumas questões na sobrevivência: eu quero? eu posso? eu preciso?
Agimos por reflexo ou com reflexão? O que pensamos ou os atos que cometemos geram incômodos? Problemas pessoais podem ser modificados? Através da inteligência, que é um atributo humano, podemos modificar nossa forma de lidar com os conteúdos antigos?
Para o desenvolvimento do aprendiz, cremos na importância de o mesmo perceber padrões de pensamento e de comportamento repetitivos que podem diminuir seu potencial de qualidade de vida nos aspectos intimo e social.
A relação entre corpo mente e emoções pode ser melhor compreendida através de um maior auto conhecimento, levando-nos a entender como se formam as tensões musculares e como elas alteram comportamento e emoção. É possível desenvolver um comportamento assertivo? É possível melhorar a saúde física, mental e emocional? Esse curso expõe os tipos e padrões de sentimentos e seus efeitos, fala sobre o instinto presente no cotidiano e orienta sobre como comparar o que o pensamento cria como verdade pessoal, mas que não condiz com a realidade. Sofrimento e repetições das mesmas situações emocionais formam círculos viciosos. A inteligência cognitiva pode analisar o próprio comportamento diante de situações comuns, mas desgastantes emocionalmente. Sua inteligência pode ser usada em seu favor. Perceber a realidade como é, aceitar que o que não tem solução está solucionado e deixar o tempo agir pode ser um caminho para a paz interior.

domingo, 23 de agosto de 2009

O SÁBIO SABE?

Há quase dois mil e quinhentos anos, na Grécia Antiga, nasceu Sócrates, que se destacou como filósofo e nos deixou como legado sua dialética, ou seja, sua forma de olhar para coisas que parecem banais e, comparando-as, chegar a fantásticas conclusões.
Sócrates foi bastante simples em seus modos, mas um grande pensador.
Certa vez Querofante, seu amigo de infância foi com ele ao famoso oráculo de Delfos e perguntou à sacerdotisa quem era mais sábio que Sócrates. A mesma respondeu que não havia alguém mais sábio.
Sócrates estranhou essa resposta, pois se observava como não sendo nem muito sábio nem pouco.
Apesar de saber que o oráculo não mentiria, saiu à procura de alguém mais sábio para que pudesse mostrá-lo à sacerdotisa, dizendo: “eis aqui um mais sábio do que eu, quando tu disseste que eu o era!”.
Mas ao procurar esse sábio, examinando seus conhecimentos, percebia que quem passava por sábio aos olhos de muita gente e até aos próprios, não o era.
Ao retirar-se concluía para si mesmo: “mais sábio do que esse homem eu sou; é bem provável que nenhum de nós saiba nada de bom, mas ele supõe saber alguma coisa e não sabe, enquanto eu, se não sei, tampouco suponho saber. Parece que sou um pouquinho mais sábio que ele justamente em não supor que saiba o que não sei”.
Nesta busca pela verdade, Sócrates acabou, mesmo sem querer, semeando muitos inimigos, pois o orgulho que sustentavam esses falsos sábios acabava minado pelos questionamentos e ao cair a mascara de sábio, feria-lhes o orgulho e o espelho da realidade gerava raiva e ódio.
Essa é uma realidade ainda nos dias de hoje, onde muitos precisam “manter as aparências”.
Entendo ser uma pessoa humilde alguém que é simplesmente o que é, sem a necessidade de parecer mais. Certas pessoas usam de falsa modéstia para parecer humildes, mas não é necessário se colocar abaixo do que se é, nem acima.
Sócrates sabia de suas capacidades e suas limitações. Não cometia excessos, pois não precisava deles. Era feliz e sereno, satisfeito com o que tinha, sem ambições, podendo, assim, viver plenamente a vida.
Hoje em dia é muito comum quem trabalhe até enquanto sonha, preocupando-se em trabalhar ainda mais para juntar riquezas, e nosso orgulho nos transforma em super homens ou super mulheres, fazendo-nos sentir heroicamente estressados, por vezes julgando e nomeando os outros como ociosos, improdutivos, desprezíveis ou inúteis.
O orgulho muitas vezes nos impede de crescer, seja como pessoa, família, grupo, empresa ou país.
Quando alguém diz algo que nos incomoda, seria interessante analisar por que isso incomoda. Por vezes taxamos de inimigo a pessoa que pode nos abrir os olhos para muitas limitações nossas, mas perdemos a oportunidade simplesmente devido o orgulho.
Se nos fala algo que não condiz com a realidade, a verdade cedo ou tarde aparecerá, e se nada devo, nada tenho a pagar.
Se precisou inventar mentiras ou calúnias para prejudicar-me, enquanto eu não preciso, ele deve estar em piores condições que eu, precisando de falsidades para conduzir a vida. Pobre coitado! Será que não percebeu que a vida é como um bumerangue e o que oferecemos ao mundo nos é devolvido?
A mentira pode reinar por um tempo, mas o próprio tempo mostra a verdade.
Se o que a outro diz for verdade, tendo a humildade de reconhece-la, terei a chance de aprender com o fato e ser pessoa melhor.
Esse é o caminho para se ter a certeza interior de que caminho seguir, que dores continuar carregando pela estrada da vida, quais boas qualidades realmente tenho e posso oferecer ao mundo, e que tendências negativas seria conveniente ou bom corrigir. Como dizia o filósofo, “Conhece-te a ti mesmo”.

sábado, 22 de agosto de 2009

A HORA DE PARAR

A vida acontece em ciclos. Ciclos que vão e vem, sobem e descem.
As fases da lua, as marés, estações do ano, a menstruação e as várias coisas que se repetem em nossa vida.
Já pensou se a lua fosse nova o tempo todo, se a maré fosse eternamente cheia, se sempre fosse outono...
Se olharmos para o cotidiano veremos alguns de nossos ciclos: sentimos fome, comemos, ficamos saciados, a fome não incomoda por algum tempo e depois tudo se repete.
Algo nos incomoda, sentimos raiva, medo, vontade ou qualquer coisa assim, tomamos uma atitude, resolvemos e voltamos á estabilidade.
Não é assim?
Nem sempre! Essa é a forma ideal, mas nem sempre esse ciclo se fecha.
Vivemos em uma sociedade competitiva, onde a agitação e a ansiedade imperam, e nesse ciclo estafante, com pressa e rivalidade, numa tensão psicológica constante, alteram-se funções fisiológicas, gerando distúrbios e doenças.
A fase de estabilidade tem sido substituída pelo inicio do próximo ciclo.
Comemos antes de sentir fome novamente e ficamos pensando no trabalho e nos problemas quando deveríamos ir para a cama e dormir para iniciarmos as atividades no outro dia.
Acabamos por não compreender o quanto é importante ter tempo para tudo, e esse tudo inclui tempo para parar e ficar fazendo nada.
Às vezes é importante reservarmos um horário para ficarmos à sós conosco.
É um momento essencial para o equilíbrio e a saúde, onde entramos em contato com os “ouvidos interiores”, que podem nos ajudar a assimilar as experiências da vida.
Nem sempre ficar só significa a dor da solidão. Em certas ocasiões se torna um período de preparação para os tempos de crescimento pessoal, um convite à maturidade que se desenvolve dia a dia.
Algumas pessoas procuram áreas verdes ou lagos onde possam simplesmente contemplar a natureza, presenteando-se com deliciosos momentos de paz.
Outros reservam um tempo para meditação, yoga, massagens, terapias, um tempo para si mesmas.
No outro extremo, alguns trabalham 25 horas por dia, mais horas extras, movidos a lexotan, e só param quando alguma doença os imobiliza.
De acordo com o Livro Sagrado, contam que Jesus, na sua sabedoria, de tempos em tempos subia ao Monte das Oliveiras em busca de tranqüilidade e calmaria, para se encontrar consigo na quietude do coração e do intelecto.
Na estrada existencial precisamos refletir sobre nossa própria essência, pois sem isso o caminho é árduo e pouco aprendemos.
Perceba o que seu corpo lhe diz. Fique atento.
Às vezes precisamos parar.

domingo, 9 de agosto de 2009

Congresso Nacional de Saúde e Espiritualidade em Marilia

Nos dias 14,15 e 16 de agosto de 2009, em Marília (interior de São Paulo), ocorrerá o VI Congresso Nacional de Saúde e Espiritualidade - Paradigma Espírita, em Marília (SP), organizado e realizado pelo Departamento Acadêmico da AME-Brasil. O evento tem a participação ativa na realização do Núcleo Universitário de Saúde e Espiritismo de Marília (integrante do Departamento Acadêmico da AME-SP).
O congresso conta com o apoio da AME-São Paulo e da AME-Brasil para sua organização, além do apoio do UNIVEM, do Colégio Bezerra de Menezes, da USE-Marília e do Instituto Bairral.
Parte da venda arrecadada no congresso será destinada ao "Hospital Espírita Fabiano de Cristo - atendimento de retaguarda a portadores com câncer".
As inscrições já estão abertas e podem ser feitas pela Loja Virtual da AME-SP (www.amesaopaulo.com)
Para mais informações, entre em contato com congressoacademico@gmail.com / secretaria@amesaopaulo.org.br ou (11) 5581-7089 / (14) 8123-0333.
Participarei desse congresso com palestra sobre Ansiedade e Somatização.

CORPORIFICAR

O conhecimento do corpo é como a entrada em uma grande catedral. Entra-se por uma entrada estreita e se depara com um mundo enorme em que se deslumbra e a alma parece ficar do tamanho deste novo mundo.
Só depois podemos perceber os vitrais, os detalhes, só com o tempo podemos capta-los com precisão e toda sua riqueza.
Como devo ter me sentido quando nasci e saí de um mundo apertado para uma imensidão? Não sei se apenas me assustei e chorei, se fiquei maravilhado com a existência de um mundo tão grande, ou se não me dei conta do que estava acontecendo. Não sei! Só depois de muito tempo consegui começar a decodificar esta imensidão. Por muito tempo olhei sem enxergar, toquei sem perceber, vi sem entender com a razão, mas em meus sentidos recebia impressões, sem saber o que fazer com elas, ou sem sentir necessidade de responder à essas impressões.
O tempo aprimorou a percepção do mundo externo, me permitindo maior precisão nas minhas conclusões sentidas e pensadas, e esse mesmo tempo me ensinou a ocultar essas impressões para que elas não me machucassem.
Às vezes olho no espelho e não reconheço meu rosto; olho minhas fotos e não me identifico.
O tempo às vezes me faz permanecer dentro de mim e esquecer o mundo lá fora. Em outras oportunidades saio e me distancio de mim, querendo abarcar o mundo para não me olhar, talvez por sentir que eu não seja tão bom assim.
E nessa estranha pulsação para dentro e para fora, começo a perceber nestes extremos que estou sendo injusto ao culpar o tempo ao invés de assumir meu egoísmo e minha vontade de fugir de minhas limitações.
Quero crescer aprendendo a ser criança, mas uma criança que já saiba usar os sentidos sem se prender tanto àquela razão adulta que acaba me escondendo as verdades para me proteger; ver o mundo como a criança, com os olhos do coração, permitindo que as coisas sejam como são.
São tantas as impressões que o mundo me passa e eu não sei o que fazer com tudo isso.
Mergulhado neste grande oceano de impressões aparece novamente o fator tempo, que junto com minha vontade de viver e amar, me ensina a arte de viver.

JOGO DA TRANSFORMAÇÃO

Os próximos Jogos da Transformação ocorrerão em meu consultório nos dias 22/08; 19/9; 24/10 e 21/11/2009.
O jogo da transformação é uma maneira alegre de entender e transformar alguma questão pontual, auxiliando a explorar os níveis físico, emocional, mental e espiritual ligados ao assunto escolhido.
Esse assunto pode ser profissional, pessoal, afetivo, bloqueios ou outra questão específica, fazendo com que você olhe para ele, levando-o a perceber como reage, como pode utiliza-lo para o seu próprio crescimento, solucionando problemas e alcançando metas desejadas. Através do jogo você pode se tornar mais consciente de suas forças pessoais.
Ao trazer novas perspectivas às questões atuais de sua vida, o jogo auxilia o esclarecimento de velhas crenças e atitudes, transformando padrões de reação.
No início do jogo você determina seu foco pessoal e mantendo esta questão em mente enquanto joga suas experiências trarão clareza, entendimento e novas direções para esta questão focada.
O jogo irá atingir o âmago de sua questão e a tocá-lo profundamente na medida em que você estiver disposto a experimentar.
Durante o jogo você terá contato com os bloqueios a cada nível, que te impedem de alcançar seu propósito, além de insights que revelam verdades importantes para alcançar suas metas.
Venha experimentar esse fascinante jogo da vida!
Duração: 08 a 12horas- grupo de 2 a 4 pessoas

FRUTOS DA ALMA

Certa vez ouvi um conto sobre uma mulher que sonhara com uma floresta num dia quente de verão. Sufocada pelo calor, corre em busca de alivio. Encontra numa clareira um lago de água fresca. Depressa tira as roupas, mas quando ia se jogar na água aparece um homem. Com medo fugiu para as arvores, mas quanto mais corria, mais se sentia perseguida.
Numa clareira da vegetação viu a entrada de uma caverna. Correu mais rápido e entrou espavorida. Tinha despistado o perseguidor. Correu para dentro, pensando em sair do outro lado, mas a caverna não tinha saída. Encolheu-se junto a parede do fundo e esperou. Logo surgiu o homem entrando na caverna. Encostada à parede gritou para o estranho: “espera aí, o que você vai fazer comigo?”. O homem respondeu: “não sei, o sonho é seu!”.
Em momento algum o homem do conto se coloca como perseguidor, mas ela o sente assim permanentemente.
Isso lembra nossa vida real, onde a forma de olhar para o mundo pode ser pesada, amarga, ou alegre, maravilhosa. Duas pessoas podem sentir a mesma situação de forma totalmente oposta. Fazer uma prova na escola pode gerar uma tensão enorme, fazer suar de medo e insegurança, gerar disfunções intestinais ou urinarias e insônia, ou, por outro lado, pode ser apenas uma prova. Encontrar uma pessoa, ir para o trabalho e as coisas mais corriqueiras podem ser encaradas como situações simples ou como a pior coisa do mundo.
Até a mesma pessoa pode estar nos dois pólos, em momentos diferentes, como acontece com algumas na tensão pré-menstrual, onde um olhar pode `explodir uma bomba`, e noutro momento, uma situação igual ou pior pode ser vista como algo corriqueiro.
A própria vida acontece numa sucessão de ciclos, onde os extremos aparecem. As vezes estamos bem dispostos, as vezes sem vontade nenhuma. Alegria e tristeza, sorte e azar, vontade e apatia, altos e baixos, e assim a vida continua. Se a imaginássemos como uma seqüência de ondas num vídeo, para cima e para baixo, com um eixo central, quanto mais longe desse eixo estivessem nossos altos e baixos mais desequilibrados estaríamos.
A vida tem essa oscilação, mas o problema é ser extremista, colocando uma simples hipótese como uma verdade absoluta e terrível, como no conto apresentado. Terminar um namoro e dizer que nunca mais vai gostar de ninguém, discutir com um amigo e dizer que nunca mais quer vê-lo...
Todos esses comportamentos geram respostas corporais que, se forem observadas podem ajudar a se entender melhor. Lendo a estória acima ou assistindo a um filme de ação ou suspense, podemos notar que o corpo por vezes responde como se estivesse vivendo a situação, se tensionando, alterando a respiração, instigando a imaginação. Diante de situações extremas, que levam a atitudes inadequadas ou ríspidas, podemos nos educar para respirar fundo, acalmar a musculatura (pois sem músculo tenso não tem nervosismo) e parar, ao invés de seguir o instinto.
Em atividades como relaxamento, meditação, yoga e massagem, começamos a ficar mais centrados em nós mesmos, e conseqüentemente percebendo o mundo com mais clareza. Diminuindo a oscilação os altos não serão tão altos e os baixos não serão tão baixos. A ansiedade e os momentos depressivos serão menos intensos.
A qualidade de vida é a bola da vez, e para alcança-la é preciso olhar para si mesmo, ter um tempo para você, saindo da loucura cotidiana, pois o silencio é o sol que amadurece os frutos da alma.

domingo, 26 de julho de 2009

CURSO SOBRE ANSIEDADE E RELAXAMENTO

O proximo curso ocorrerá em Nazaré-Uniluz (Universidade da Luz) nos dias 27 a 29/11/2009.
Situações cotidianas podem deixar os nervos à flor da pele. Nem sempre sabemos lidar com essas situações, e por vezes nosso corpo adoece sem compreendermos o por quê. Neste curso você pode aprender a lidar de forma assertiva com certas situações e encontrar “ferramentas” para diminuir os efeitos da ansiedade em si mesmo. Entendendo como a ansiedade funciona em você, terá mais condições de lidar com os efeitos dela, mantendo maior equilíbrio emocional, diminuindo os problemas de sono, melhorando memória e raciocínio e combatendo o estresse. Conheça-se e melhore sua qualidade de vida. O curso é desenvolvido através de dinâmicas de grupo, práticas de terapêutica corporal e atividades teórico-reflexivas. Duração:10horas- grupo de 6 a 15 pessoas.

sábado, 25 de julho de 2009

A ESFINGE DA ANSIEDADE

Para falarmos de ansiedade, podemos pensar na antiga lenda da Esfinge, que segundo consta, cada viajante que passava por ela tinha que parar e decifrar um enigma. Caso não conseguisse responder certo seria devorado.
Hoje em dia comparamos essa esfinge ao mundo que nos rodeia. Fatores como a pressão por parte de quem gostamos – que muitas vezes só existe em nós e não no outro -, desrespeito de nossos limites, incertezas, preocupação antecipada, baixa auto estima, e pensamentos como ‘o que vão pensar de mim?’, ‘tenho que mostrar para eles’, ‘não posso errar!’, ‘não aceito o segundo lugar!’, acabam por nos impedir de darmos o que temos de melhor.
São tantas as preocupações do mundo capitalista, que muitas vezes nosso corpo acaba por receber o impacto de situações cotidianas que a mente não conseguiu elaborar adequadamente. Nos últimos anos foram realizados no estado de São Paulo 50 Cursos sobre Ansiedade e Relaxamento, atendendo a mais de 1000 pessoas, e em mais de 70% das pessoas, um fator bastante comentado foi uma situação conhecida como “engolir sapo” , que é bastante comum, mas desencadeia um sentimento que se não for adequadamente direcionado, pode resultar em diversos tipos de sintomas, conforme o caso. A angústia, pressão no peito, mal estar, estômago embrulhado, dor de cabeça, já foram encontradas como fatores desencadeados e observados em alguns anos de trabalho clínico. Outros casos e outros fatores já mostraram que quando convertemos emoções em sintomas orgânicos, estamos expressando de forma inconsciente algo que “não está muito bem em nós”, podendo também aparecer na forma de problemas de sono, dores, perda ou excesso de apetite, compulsividade, impaciência, depressão, “nervosismo”, disfunções cardíacas, respiratórias, circulatórias ou musculares, perda de memória e raciocínio, além de uma lista imensa de outros possíveis sintomas, que são necessários para nos darmos conta de que algo está errado conosco, nos casos de maior profundidade podemos desenvolver uma síndrome do pânico, que atualmente não é difícil encontrar.
Onde está esta esfinge que nos devora aos poucos, tornando um tormento nossa passagem pela vida?
A esfinge esta dentro de nós e nós nos devoramos cada vez que desrespeitamos nossos próprios limites, nos impondo metas que não estamos preparados para enfrentar, e pior, sem aceitar o nosso lado humano, que erra e não é perfeito.
Por outro lado, as respostas certas também estão dentro de nós, mas ao depararmos com ‘a esfinge’, ou seja, nossa exigência de perfeição, somos envolvidos pelo medo de sermos vistos como ‘meros mortais’, ficando impossibilitados de pensar com coerência.
A maneira como nos sentimos é que faz toda a diferença entre sucesso e fracasso. Não depende de nossa capacidade, mas do estado mental e físico que vivenciamos em determinado momento.
Para mudar nossas capacidades, precisamos modificar nosso estado interior, pois isso nos impede de percebermos adequadamente a situação à nossa volta.


MARCUS VINICIUS MORENO
psicólogo e terapeuta corporal
marcus.cosmus@hotmail.com